Jornalista Adriana Irion recebe Comenda Porto do Sol

Ramiro Rosário, que propôs a homenagem com a mais alta honraria conferida pela Câmara de Vereadores, disse que o nome de Adriana Irion está gravado no jornalismo gaúcho com a marca anticorrupção


Ramiro Rosário entregou a mais alta honraria conferida pela Câmara de Vereadores à jornalista Adriana Irion. (Foto: Elson Sempé Pedroso/CMPA)

Em sessão solene, a Câmara Municipal de Porto Alegre concedeu a Comenda Porto do Sol à jornalista Adriana Irion, que trabalha há 29 anos no jornal Zero Hora, do Grupo RBS. A outorga da homenagem, realizada no Plenário Ana Terra, foi proposta pelo vereador Ramiro Rosário (PSDB). “No Rio Grande do Sul, o jornalismo investigativo tem nome e sobrenome: Adriana Irion”, disse o vereador, acrescentando que “o seu nome está gravado no jornalismo gaúcho com a marca anticorrupção”. Adriana Irion disse estar honrada com o recebimento da Comenda Porto do Sol proposta por Ramiro. “Recebo essa homenagem em nome de todos os colegas jornalistas que fazem matérias investigativas. O maior prêmio, porém, é ver uma cidade melhor, mais fiscalizada, e os recursos públicos bem aplicados”, afirmou. Ramiro recordou que um dos grandes trabalhos da jornalista homenageada foi há cinco anos, em 2016, quando Porto Alegre foi sacudida com a Operação Tormenta, da Polícia Civil, narrada em detalhes por Zero Hora na série de reportagens "Dinheiro pelo Bueiro". A matéria revelou que pelo menos R$ 10 milhões de reais foram desviados do antigo Departamento de Esgotos Pluviais (DEP), através do superfaturamento de contratos. Na prática, a empresa contratada para fazer a limpeza de bocas de lobo na Capital cobrava por um serviço não realizado. A Prefeitura pagava o valor integral, mesmo sem ter a devida comprovação do trabalho efetuado. As casas de bombas, responsáveis pela drenagem de água das chuvas em áreas críticas, também foram sucateadas e mal conservadas. Os desvios aconteceram sem que o poder público tivesse as ferramentas necessárias para a devida fiscalização. “Foi assim que, quando assumimos a Secretaria de Serviços Urbanos, tendo o DEP sob o seu guarda-chuva, implantamos medidas de gestão simples, mas eficazes”, disse Ramiro, elencando as ações implementadas, como pagamento por produtividade, ponto biométrico dos funcionários das empresas terceirizadas, registro de imagens com o "antes" e o "depois" dos serviços e controle das equipes por GPS. De forma inédita, lembrou o vereador, foram aplicados mais de R$ 2 milhões em multas nas empresas que descumpriram contratos. Em síntese, os contratos foram aprimorados, a fiscalização foi intensificada e houve reforço nos controles para combater de forma sistemática a corrupção e as irregularidades. “Ou seja, Adriana, a tua matéria serviu de subsídio para a implementação de uma série de medidas de controle e eficiência aplicadas no serviço de zeladoria da Capital. Mudou, efetivamente, a nossa realidade!”, reconheceu o vereador. Essa experiência prática resultou na elaboração do Pacote Contra a Corrupção, construído com base na denúncia da jornalista do Grupo RBS e depois da implantação de novas medidas de controlem, que foi apresentado por Ramiro no ano passado e virou lei em 6 de aio desse ano. “Como fui útil a tua matéria, Adriana. Não só pra mim, pessoalmente, mas para todos os porto-alegrenses”, observou. A Comenda Porto do Sol é a mais alta honraria conferida pelo Poder Legislativo da Capital gaúcha para pessoas físicas ou jurídicas com atuação pública reconhecida em áreas do conhecimento humano educação, comunicação, economia, saúde, esporte, ciência, meio ambiente, tecnologia, cultura, religião, trabalho comunitário e direitos humanos. A sessão foi presidida pelo vereador Gilson Padeiro (PSDB) e contou com as presenças de Cassiá Carpes (PP) e Felipe Camozatto (Novo), do secretário de Comunicação, Luiz Otávio Prates, representando o prefeito Sebastião Melo, do jornalista Diego Araújo, representando a diretoria do Grupo RBS, além do jornalista Carlos Wagner, um dos grandes repórteres investigativos do Rio Grande do Sul, do ex-vereador João Carlos Nedel, amigos e os filhos João Pedro e Inácio. O vereador Cassiá Carpes elogiou a coragem e o arrojo de Adriana na realização das suas matérias. “Teu trabalho é importante porque separa o joio do trigo, denunciando os maus políticos e preservando os bons”. O secretário Luiz Otávio Prates disse que a trajetória da jornalista fala por si. “Trago o reconhecimento do prefeito Melo a esta justa e merecida homenagem”, falou.

Ramiro com Adriana, Diego Araújo, editor do Grupo RBS e marido da jornalista, e os filhos João Pedro e Inácio (Foto: Elson Sempé Pedroso/CMPA)

BREVE CURRÍCULO Formada em Jornalismo pela Faculdade dos Meios de Comunicação Social (Famecos) da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) em 1994, Adriana Abreu Irion tem 48 anos de idade e trabalha há 29 anos no jornal Zero Hora, onde é repórter especial e integrante do Grupo de Investigação do Grupo RBS. Atuou em diversas áreas do jornalismo, tendo como foco, a partir de 1995, na Editoria de Polícia, investigações de crimes, em presídios e em unidades de internação de adolescentes. A partir de 2007, passou a trabalhar como repórter de política. Se especializou na cobertura de casos de corrupção no Poder Público, operações da Polícia Federal e investigações de crimes do colarinho branco. Em 2012, foi uma das autoras da série Meninos Condenados, vencedora de cinco diferentes prêmios nacionais e internacionais, entre eles, o Prêmio Esso Regional e o 2º lugar no Prêmio Ipys de Reportagem. Também participou de coberturas de repercussão nacional como a da tragédia na boate Kiss e a morte do menino Bernardo Uglione Boldrini, em Três Passos. Em 2019, foi agraciada pelo Ministério Público de Contas do Estado do Rio Grande do Sul com a Comenda Guilhermino César pela liberdade de expressão, em função da destacada atuação em prol do controle da administração pública. Atualmente, é acadêmica de Direito na PUCRS. Seu nome já está gravado no jornalismo gaúcho como uma marca anticorrupção. VEJA O DISCURSO DO VEREADOR RAMIRO ROSÁRIO No jornalismo, há uma especialidade desejada e ao mesmo tempo temida pelos profissionais: a área investigativa. Guardadas as proporções, é como ser correspondente de guerra. Sem dúvida é uma oportunidade única, mas que pode valer a vida. Ser jornalista investigativo, especialmente contra a corrupção, é atuar numa guerra urbana. É esse ofício de risco que a nossa homenageada de hoje escolheu para a sua vida. No Rio Grande do Sul, o jornalismo investigativo tem nome e sobrenome: Adriana Irion. Setorista policial por vários anos, levou sua experiência na cobertura criminal para a cobertura política. Afinal, infelizmente, é na má política que estão alguns dos maiores crimes contra os cidadãos. Tanto que o desvio de recursos públicos se tornou um vírus, o vírus da corrupção. Aliás, prestei mais atenção ao trabalho da Adriana Irion há cinco anos, em 2016, quando Porto Alegre foi sacudida com a Operação Tormenta, da Polícia Civil, narrada em detalhes por Zero Hora na série de reportagens "Dinheiro pelo Bueiro". A matéria da Adriana Irion revelou que pelo menos R$ 10 milhões de reais foram desviados do antigo Departamento de Esgotos Pluviais (DEP), através do superfaturamento de contratos. Na prática, a empresa contratada para fazer a limpeza de bocas de lobo na Capital cobrava por um serviço não realizado. A Prefeitura pagava o valor integral, mesmo sem ter a devida comprovação do trabalho efetuado. As casas de bombas, responsáveis pela drenagem de água das chuvas em áreas críticas, também foram sucateadas e mal conservadas. Os desvios aconteceram sem que o poder público tivesse as ferramentas necessárias para a devida fiscalização. Foi assim que, quando assumimos a Secretaria de Serviços Urbanos, tendo o DEP sob o seu guarda-chuva, implantamos medidas de gestão simples, mas eficazes: pagamento por produtividade, ponto biométrico dos funcionários das empresas terceirizadas, registro de imagens com o "antes" e o "depois" dos serviços e controle das equipes por GPS. De forma inédita, aplicamos mais de R$ 2 milhões em multas nas empresas que descumpriram contratos. Aprimoramos os contratos, intensificamos a fiscalização e reforçamos os controles para combater de forma sistemática a corrupção e as irregularidades. Ou seja, Adriana, a tua matéria serviu de subsídio para a implementação de uma série de medidas de controle e eficiência aplicadas no serviço de zeladoria da Capital. Mudou, efetivamente, a nossa realidade! Todo esse legado poderia ficar apenas nos arquivos do município, pois a escolha de seguir tais diretrizes dependia da vontade solitária do gestor. Felizmente, conseguimos ir além. A partir do nosso Pacote Contra a Corrupção, construído com base na denúncia da Adriana e da implantação de novas medidas de controle, o combate à corrupção virou lei e, assim, não depende da decisão pessoal de ninguém. Em quase 100 artigos, é uma espécie de manual de boas condutas, com todas as medidas necessárias para prevenir irregularidades por meio da modernização da gestão e fiscalização dos contratos. Como fui útil a tua matéria, Adriana... Não só pra mim, pessoalmente, mas para todos os porto-alegrenses! Em síntese, o que a Adriana mostrou é que as sombras da legislação servem de esconderijo aos corruptos. É preciso trazer luz para iluminar os buracos da gestão pública. É isso que a Adriana faz em cada uma das suas matérias, sem descanso. O combate à corrupção, aliás, é a batalha desta geração. Há várias maneiras de lutar nesta guerra. Pode ser nas ruas, com protestos e palavras de ordem; ou em casa, com panelas e indignação. Mas o teu ofício, Adriana, certamente é o que mais tem repercussão. Somente através do jornalismo sério e comprometido com a verdade, é que as pessoas têm acesso a informações que a tiram do papel de espectadoras. As revelações da imprensa, em especial do jornalismo investigativo, servem de vacina contra a corrupção. Em tempos de redes sociais, em que todos nós nos tornamos um veículo de comunicação com o celular na mão, está cada vez mais fortalecido o papel de jornalistas capazes de formatar a informação de modo isento, objetivo, atrativo, e confiável. É por isso que a tua importância rompeu o Mampituba, ganhando relevância nacional. O dinheiro roubado do orçamento público é dinheiro nosso, de todos os contribuintes, que pagam impostos na esperança de receber em troca serviços como saúde, educação, segurança, justiça, infraestrutura, cultura, lazer, entre outros. Quem comete desvios, erra duas vezes: primeiro, ao cometer um crime, segundo, por trair a confiança da população. Tu, Adriana, acerta todas as vezes que expõe quem desvia o dinheiro de todos para o seu próprio bolso. Parabéns, pela tua coragem e retidão. Os porto-alegrenses e os gaúchos agradecem!

Texto: Orestes de Andrade Jr. (reg. prof. 10.241)

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