Extrema esquerda de Porto Alegre contra o Hino do Rio Grande do Sul


Por Ramiro Rosário, vereador de Porto Alegre


De forma vergonhosa, durante a cerimônia de posse dos vereadores eleitos por Porto Alegre-RS, partidos de esquerda recusaram-se a cantar o hino rio-grandense e permaneceram sentados.


Os símbolos gaúchos nada dizem a eles, e o pior: os extremistas demonstram um perigoso hábito de revisar a nossa história a ponto de distorcer os fatos até que tudo se encaixe em sua narrativa de eterna luta de classes. E o alvo do momento é um dos símbolos do nosso Estado, que acusam de ser racista.


Antes de mais nada, o racismo deve ser condenado veementemente, mas onde ele realmente está.


Uma das “lutas” da esquerda no Rio Grande do Sul é a retirada do trecho “povo sem virtude, acaba por ser escravo” do hino, por considerá-lo ofensivo ao povo negro, e não é.


Há um revisionismo histórico, com caráter pejorativo, buscando adjetivar os gaúchos como “bairristas”, “xenófobos” e “racistas”, por falarem com orgulho da Guerra dos Farrapos (1835-1845). Na visão marxista dominante até pouco tempo, ela era apenas uma revolta conduzida por uma elite de estancieiros que não queriam pagar mais impostos.


Muito recentemente, essa visão economicista vai perdendo espaço e vai tomando forma uma narrativa baseada no trágico massacre dos lanceiros negros, concluindo que os símbolos tradicionais do Rio Grande do Sul são simplesmente racistas.


O que PT e PSOL ignoram nessa “ luta” antirracista - puro discurso ideológico - é que a história da Revolução Farroupilha e do próprio termo “escravo” na estrofe são bem diferentes dessa versão distorcida.


O hino rio-grandense é de origem maçônica e traz consigo a tradição renascentista e liberal, que buscou na cultura greco-romana inspiração para o seu conteúdo político.


A expressão “escravo” não tem relação com negros, ou qualquer povo vítima de exploração na história contemporânea, mas com o conceito grego (doulos) que separava cidadãos livres e aptos a participar das decisões políticas, daqueles despidos de tais direitos. Não havia relação com a cor ou a religião do cativo, mas com obediência a ordens em decorrência de dívidas/batalhas, com a submissão as ordens de um senhor.


Esse é o sentido do termo em nosso hino. Os gaúchos viviam um período difícil de crise financeira, forçados a pagar cada vez mais impostos para um Governo imperial que não dava qualquer contrapartida. A canção conta a história de um povo que cansou de obedecer cegamente um Governo tirano e decidiu lutar por seus direitos. E os bravos lanceiros negros, que merecem todas as homenagens que a história lhes conferiu, fazem parte dessa luta e irresignação peculiares dos gaúchos, pois lutavam em defesa de sua liberdade.


Povo que não se insurge contra violações a seus direitos e liberdades individuais é um povo que se torna cativo de Governos tiranos. Essa é a essência da Guerra dos Farrapos, que a esquerda tenta apagar, em uma manobra para evitar que os cidadãos, hoje livres, questionem o que for considerado verdade absoluta por seus líderes politicamente corretos. O que mais seria a “cultura do cancelamento”, senão proibir que determinados assuntos sejam discutidos?

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