
PROPOSTAS
Chega de perder gaúchos para Santa Catarina!
O estado que as pessoas estão deixando
Entre 2002 e 2023, o Rio Grande do Sul foi o estado que menos cresceu no Brasil. Nossa economia cresceu 34% em vinte anos. A média do país foi 58%. Santa Catarina, ali do lado da divisa, cresceu 65%.
Depois não adianta estranhar o resto.
Entre 2017 e 2022, 212 mil pessoas foram embora do Rio Grande do Sul e só 134 mil vieram morar aqui. Um prejuízo de quase 78 mil gaúchos em cinco anos. E o destino se repete: de cada dez que foram embora, seis foram para Santa Catarina. Quase metade de todos os gaúchos que hoje vivem fora do estado está lá.
O detalhe mais duro nem é esse. É que o gaúcho não vai embora mais do que os outros brasileiros — temos uma das menores taxas de saída do país. O que quase não acontece é alguém querer vir para cá.
Estamos entre os estados que menos atraem gente no Brasil. No mesmo período, Santa Catarina foi o
estado que mais ganhou população em todo o país.
Ninguém escolhe Santa Catarina porque o mar de lá é melhor. Escolhe porque lá é mais barato produzir,
mais rápido abrir uma empresa, mais fácil escoar o que se planta e o que se fabrica. É uma disputa que a gente vem perdendo há vinte anos, e não por falta de terra, de porto, de indústria ou de gente boa.
É isso que explica a fábrica que fechou, o filho que foi tentar a vida em outro estado, a cidade do interior que tem menos gente hoje do que tinha há vinte anos.
E aqui está a parte que dói. Capital humano nunca nos faltou. Somos o mesmo povo que ajudou a levantar
o agronegócio do Centro-Oeste, quando famílias inteiras venderam o que tinham aqui e foram abrir cerrado no Mato Grosso, em Goiás e na Bahia, transformando sertão numa das maiores fronteiras agrícolas do mundo. É o mesmo povo que, mais perto de casa, ergueu o Oeste catarinense, levando para lá a cultura do trabalho, da cooperativa e da agroindústria que fez daquela região um dos motores do Brasil. Onde o gaúcho chega, ele produz, cria emprego e faz prosperar.
O problema nunca foi a nossa gente. O problema é um estado que, em vez de segurar essa força em casa, vem empurrando-a para fora há vinte anos. Imagine o que essa mesma energia faria se encontrasse
aqui dentro as condições que foi buscar do outro lado da divisa.
Nada disso aconteceu por azar. Aconteceu porque o Rio Grande do Sul virou um estado caro, endividado, lento e metido em coisas que não eram da sua conta.
E também não vai se resolver por milagre de político. O Rio Grande do Sul não volta a crescer porque alguém assinou um decreto no Piratini. Volta a crescer quando o produtor consegue investir sem esperar dois anos por uma licença, quando o dono da metalúrgica consegue contratar mais um, quando o casal decide ficar na cidade onde nasceu em vez de ir embora. Quem reconstrói um estado são as pessoas que trabalham nele. O que cabe a quem governa é bem menos glamouroso e bem mais difícil do que costumam prometer: sair da frente onde atrapalha e funcionar direito onde é insubstituível.
As propostas abaixo estão numa ordem, e a ordem importa. Primeiro é preciso parar de gastar mais do que se arrecada. Depois, cortar o que é privilégio e segurar a tentação de aumentar imposto. Só então sobra dinheiro para consertar a infraestrutura. E é a infraestrutura funcionando que faz o gaúcho produzir mais, ganhar mais e ter emprego perto de casa.
Não dá para pular etapa.
Tudo aqui serve a uma coisa só: chega de perder gaúcho para Santa Catarina.
Fechar a conta no azul
O próprio governo já avisou: em 2027, vai gastar R$ 4,8 bilhões a mais do que arrecada.
Você talvez ouça dizer que as contas do estado estão em ordem. Estão, mas por empréstimo de tempo. O Rio Grande do Sul está num programa de socorro do governo federal, vem abrindo programas que dão desconto a quem estava devendo imposto atrasado, para engordar o caixa do ano e, desde a enchente, teve o pagamento da dívida com a União suspenso. As três coisas acabam quase juntas. A dívida volta a ser paga em 2027.
Tirando esses efeitos temporários, o resultado que o estado comemorou no começo de 2026 encolheria
de R$ 5,5 bilhões para R$ 1,1 bilhão. E a previsão oficial é de contas no vermelho até 2029.
Nenhum estado equilibra a conta de um ano para o outro, e rejeitar o orçamento inteiro deixaria o Rio Grande do Sul sem orçamento. O que eu defendo é uma regra que hoje não existe: orçamento que já nasce prevendo déficit vem acompanhado de um plano de revisão de gastos, item por item, apresentado e votado em público. Se vai faltar dinheiro, que se diga de antemão o que será cortado — e não em dezembro, na canetada.
Estado que gasta mais do que arrecada não sobra dinheiro para investir. Sem investimento, não há estrada, não há trem, não há energia barata. E sem isso a economia cresce 34% enquanto a do vizinho cresce 65%. Todo o resto deste programa depende deste primeiro passo.
O QUE EU DEFENDO
— Obrigação de o governo apresentar plano anual de revisão de gastos sempre que o orçamento previr déficit;
— Regra de teto para o crescimento da despesa, amarrada à receita;
— Preparar desde já a volta do pagamento da dívida com a União em 2027;
— Prestação de contas do resultado fiscal em linguagem que qualquer pessoa entenda.
Cortar privilégio, e não serviço público
O jeito fácil de fechar a conta é cortar o que aparece: menos remédio no posto, menos obra, menos concurso. O jeito certo é olhar Oonde o dinheiro realmente vai.
A folha de pagamento do estado custou R$ 34,7 bilhões em 2025. De cada dez pessoas na folha da administração
direta, quase seis são aposentados e pensionistas. Só o rombo da previdência dos servidores foi de R$ 10,2 bilhões no ano.
A reforma feita em 2020 funcionou: economizou cerca de R$ 27 bilhões em cinco anos e reduziu o rombo pela metade. Mesmo assim ele ainda é de R$ 10,2 bilhões por ano. Ou seja, a reforma não foi errada — ficou pela metade.
E aqui vale ser bem claro, porque essa confusão é feita de propósito. Privilégio não é o salário do professor, do soldado da Brigada nem do agente penitenciário. Privilégio é penduricalho, é auxílio disfarçado de indenização, é gente acumulando cargo que não pode acumular, é salário acima do teto pago com nome de outra coisa. Quem mistura as duas coisas está defendendo o penduricalho e usando o professor como escudo.
Toda remuneração acima do teto tem que ser publicada, com nome e valor, em todos os poderes. O que aparece à luz do dia costuma durar pouco. E defendo uma medida que resolve o supersalário sem tirar de ninguém o que já recebe: congelamento dos reajustes de quem está acima do teto até que o valor se enquadre nele. Sem confisco e sem dez anos de discussão jurídica. Só o tempo fazendo o trabalho que a lei já deveria ter feito.
O QUE EU DEFENDO
— Publicar, com nome e valor, toda remuneração acima do teto, em todos os poderes;
— Concluir a reforma da previdência estadual, que ficou pela metade;
— Votar contra criação de cargo e reajuste sem demonstração de impacto nas contas;
— Fim da acumulação irregular de cargos, com cobrança ao Tribunal de Contas.
Reforma administrativa com inteligência artificial
O problema da máquina pública gaúcha não é falta de gente. É fila.
Fila de licença ambiental, fila de processo previdenciário, fila de perícia, fila de análise de projeto,
fila de resposta a pedido de informação. Enquanto isso, a folha custa R$ 34,7 bilhões por ano e quase
seis de cada dez vínculos da administração direta são de aposentados e pensionistas.
O estado não pode contratar mais, não cabe no orçamento. Não pode demitir, a Constituição não permite. E a receita não cresce. Sobra uma variável só: quanto cada servidor na ativa entrega por dia.
A inteligência artificial resolve exatamente isso. Conferir se o documento anexado é o certo, extrair informação de formulário, classificar processo, responder pela quinta mil vez à mesma dúvida sobre prazo — tudo isso a máquina faz melhor, mais rápido e sem custo marginal. O servidor fica com o que exige julgamento e responsabilidade.
O estado já começou e parou no meio. Existe assistente virtual no portal e no WhatsApp, existe uso de inteligência artificial contra evasão escolar e em segurança pública, existe um sistema premiado nacionalmente para prevenção de catástrofes. São projetos soltos, cada secretaria com o seu, sem meta, sem cálculo de economia e sem nenhuma consequência sobre o custo da máquina.
Piloto não é reforma. O que eu proponho é a segunda metade.
Inventário obrigatório. Cada órgão levanta quais tarefas são repetitivas, quanto tempo consomem e quantas podem ser automatizadas. Resultado publicado. Ninguém reforma o que nunca mediu.
Meta com prazo e economia apurada. Percentual de redução de fila por serviço, data para entregar, e o valor economizado calculado e divulgado — não estimado em coletiva.
Reposição seletiva. Onde a função for automatizada, o cargo não é reposto quando vagar. Quem está na ativa é realocado para onde falta gente, que é a ponta: escola, hospital, fiscalização, segurança. Nenhum servidor concursado é demitido por automação, e nenhum precisa ser — com quase seis de cada dez vínculos já inativos, a onda de aposentadorias faz o trabalho sozinha. Não sobra servidor no Rio Grande do Sul. Sobra papel.
Supervisão humana em toda decisão que afete direito. Negar licença, indeferir benefício, aplicar multa, suspender pagamento: uma pessoa confere, assina e responde.
Transparência do critério e direito de contestar. O cidadão precisa saber com base em quê a decisão sobre a vida dele foi tomada, e poder discordar. Auditoria periódica do sistema.
Tecnologia comprada, não estatal. Concorrência aberta, padrão que permita trocar de fornecedor, e os dados sempre pertencendo ao estado, nunca à empresa. Governo refém de fornecedor único troca uma ineficiência por outra, mais cara.
Servidor concursado é gente formada, aprovada em prova difícil e paga com dinheiro público. Colocar essa pessoa para carimbar processo repetitivo é um desperdício que o contribuinte paga duas vezes: uma no salário, outra na fila.
O QUE EU DEFENDO
— Inventário público de tarefas repetitivas automatizáveis, órgão por órgão;
— Meta de redução de tempo de fila por serviço, com prazo e economia apurada;
— Cargo automatizado não é reposto quando vagar, e quem está na ativa vai para a ponta;
— Supervisão humana obrigatória em toda decisão que afete direito;
— Transparência do critério usado e direito de contestação do cidadão;
— Tecnologia contratada em concorrência aberta, com dados sempre pertencentes ao estado.
Nenhum imposto novo para tapar buraco
Quando a conta aperta em 2027, vem a proposta de sempre: aumentar o ICMS.
Já quase aconteceu. O imposto geral do estado era 18%, caiu para 17,5% e depois para 17%. Em 2023, o governo mandou para a Assembleia um projeto para subir de novo, para 19,5%, e recuou diante da reação. Enquanto isso, dezessete estados brasileiros
aumentaram o seu.
O ICMS está em tudo o que você compra. Sobe o imposto, sobe o preço da prateleira, e quem sente primeiro é quem ganha menos. Sem contar que a arrecadação do estado vem caindo mesmo com a alíquota parada — sinal de que o problema é a economia fraca, não a alíquota baixa. Aumentar imposto numa economia que não cresce é apertar o pescoço de quem já está sem ar.
Meu compromisso é votar contra aumento de imposto e contra a criação de taxa nova para cobrir déficit. A conta se fecha do outro lado: cortando privilégio, vendendo o que o estado não precisa ter e fazendo a economia crescer.
O QUE EU DEFENDO
— Voto contra qualquer aumento da alíquota do ICMS;
— Voto contra criação de taxa nova para cobrir buraco no caixa;
— Fechar a conta pelo corte de gasto, pela venda de estatal e pelo crescimento da economia;
— Exigência de estudo prévio de impacto econômico, e não apenas orçamentário, antes de qualquer proposta de aumento de tributo.
Brigar em Brasília pelo dinheiro que sai daqui
Não basta segurar o imposto aqui dentro. É preciso brigar pelo que já sai do bolso do gaúcho.
O Rio Grande do Sul manda para Brasília muito mais do que recebe de volta. A cada R$ 100 pagos em impostos federais aqui, cerca de R$ 19 retornam ao estado em repasses. Só em um ano recente, os gaúchos pagaram R$ 102,8 bilhões em tributos federais. Enquanto isso, há estados que recebem mais do que mandam — em alguns casos, o triplo.
E agora vem uma armadilha que quase ninguém está olhando.
O ICMS está sendo substituído por um imposto nacional. A partir de 2029, o dinheiro será dividido entre os estados usando como referência quanto cada um arrecadou de ICMS entre 2024 e 2028. Ou seja: quem aumentou o imposto sobre o seu próprio povo nesses anos vai levar uma fatia maior do bolo. Dezessete estados aumentaram. O Rio Grande do Sul manteve a alíquota em 17%.
Traduzindo: o gaúcho pode acabar sendo punido justamente porque não teve o imposto aumentado. É uma regra que premia quem tributa mais e castiga quem tributa menos, e ela foi escrita sem que ninguém apresentasse um estudo mostrando quanto cada estado ganha ou perde.
Tem ainda outro efeito. O novo imposto é cobrado onde o produto é consumido, e não onde ele é fabricado. Estado que produz e vende para fora — que é exatamente o nosso caso — tende a ficar com menos.
Meu compromisso é acompanhar essa transição ano a ano, com número na mão e relatório público, e cobrar a compensação do que estiver prejudicando o Rio Grande do Sul. Isso significa exigir que o estado faça o seu próprio cálculo de perdas e ganhos, publicar esse cálculo, e trabalhar junto com a bancada gaúcha em Brasília para mudar o que precisar ser mudado enquanto ainda dá tempo.
Regra ruim aprovada em silêncio custa caro por décadas. Quem não conta o próprio dinheiro acaba aceitando a conta que os outros fizerem.
O QUE EU DEFENDO
— Exigir do governo estadual estudo público de perdas e ganhos com a reforma tributária, ano a ano;
— Painel permanente com o que o estado paga a Brasília e o que recebe de volta;
— Atuar com a bancada gaúcha para corrigir a regra que premia quem aumentou imposto;
— Fiscalizar o fundo estadual que vai substituir os incentivos de ICMS, antes de o desenho fechar.
Vender o que o estado não precisa ter e aplicar o dinheiro em infraestrutura
O Rio Grande do Sul ainda é dono de 14 empresas. Entre elas, uma mineradora de carvão, uma empresa de informática, uma Ode rodovias e uma central de abastecimento de alimentos.
Nada disso precisa ser do estado. E tudo isso precisa de dinheiro que o estado não tem, enquanto
paga R$ 10,2 bilhões por ano de rombo da previdência.
As vendas já feitas renderam R$ 8,7 bilhões. A da mineradora de carvão já está prevista para se concluir em 2027.
Mas tem uma regra que eu faço questão de deixar por escrito: todo dinheiro de venda de estatal vai para obra e para abater dívida, nunca para pagar a conta do mês.
A lei já diz isso, e deixa uma porta aberta: dinheiro de venda de patrimônio pode ser usado em despesa corrente quando destinado à previdência. É por essa porta que se vende uma empresa inteira e se enterra o valor no rombo previdenciário de R$ 10,2 bilhões por ano, sem que sobre um metro de asfalto. Defendo fechar essa porta em lei estadual. Vender patrimônio para bancar despesa do mês é queimar o futuro para empurrar o problema com a barriga. Já tentaram fazer isso aqui.
O QUE EU DEFENDO
— Concluir a venda das empresas estatais que não precisam ser públicas;
— Regra escrita: dinheiro de venda só para obra e para abater dívida, sem a brecha de custear despesa corrente pela via da previdência;
— Cada venda aprovada por lei, com preço mínimo e cálculos abertos;
— Fiscalização da modelagem, para não repetir venda a preço vil.
Construir o que falta com parceria privada
Mesmo com a conta arrumada, o estado não vai ter dinheiro para erguer tudo o que precisa. Hospital, escola, presídio e estrada não cabem no orçamento de quem já sabe que vai fechar 2027 com R$ 4,8 bilhões de rombo.
Existe um jeito de fazer sem vender nada: a parceria com empresas privadas. A escola continua pública, o hospital continua público, o presídio continua público. O que muda é que uma empresa constrói, mantém e opera, com contrato que mede qualidade, e só recebe direito se entregar direito. Entregou mal, é multada. Entregou muito mal, perde o contrato.
O estado já tem mais de R$ 20 bilhões em projetos assim, incluindo a parceria de 98 escolas, um hospital em Viamão e o presídio de Erechim, com 1,2 mil vagas.
Quem diz que a alternativa à parceria é a obra pública está enganando. A alternativa real é a obra que nunca sai.
O trabalho do deputado aqui é vigiar o contrato: quem paga a conta quando algo dá errado, o que acontece se atrasar, como se mede se o serviço é bom. É nesse detalhe que uma parceria boa se separa de uma ruim — e é por isso que eu defendo parceria e critico contrato mal feito, como o dos pedágios.
O QUE EU DEFENDO
— Ampliar as parcerias para hospital, escola, creche, presídio e estrada;
— Contrato com qualidade medida e pagamento amarrado ao desempenho;
— Multa e rescisão para quem não entregar o combinado;
— Patrimônio segue público em todos os casos.
Pedágio que só cobra depois de entregar
Uma comissão da Assembleia investigou as concessões de rodovia do estado por seis
meses. O que ela encontrou é difícil de defender: depois de mais de três anos cobrando pedágio, nenhuma das duplicações prometidas para janeiro de 2026 tinha sido entregue. No mesmo período, as tarifas subiram mais de 35% — mais que o dobro da inflação. Num dos contratos, há obra marcada para o 19º ano, com cobrança começando no segundo.
Na cobrança eletrônica, mais de um milhão de multas somaram R$ 49,5 milhões. Quem esquece de pagar uma passagem de R$ 9 leva multa de R$ 195,23 e cinco pontos na carteira.
Eu sou a favor de concessão e contra contrato ruim. O estado não tem como duplicar rodovia com dinheiro
próprio, e ninguém apresentou uma terceira forma de pagar por asfalto. O problema não está em entregar a estrada para a iniciativa privada. Está no jeito como esses contratos foram desenhados — e a prova de que estavam mal desenhados não veio da política: o leilão de junho de 2026 foi cancelado porque nenhum investidor apareceu. Quando nem quem ia ganhar dinheiro com aquilo quis assinar, o problema é de conta, não de ideologia.
Concessão boa e concessão ruim se separam no contrato, e é lá que o problema está: cobrança começando antes da obra, reajuste correndo ao dobro da inflação e multa desproporcional sobre quem esqueceu de pagar nove reais.
Tem ainda um efeito que quase ninguém comenta: se é verdade que a infraestrutura precária compromete a nossa capacidade logística e penaliza a indústria, um pedágio caro no caminho até o Porto de Rio Grande encarece tudo o que a gente exporta. Um estado que quer indústria não pode cobrar para empurrar a carga para longe do próprio porto.
O QUE EU DEFENDO
— Tarifa cheia só depois da obra entregue;
— Assembleia analisando contrato, tarifa e estudos antes da publicação do edital;
— Multa proporcional ao valor devido, com notificação que realmente chegue ao motorista;
— Audiência pública nas cidades cortadas por pórtico ou praça;
— Transparência sobre todo dinheiro público aportado nas concessões.
O trem: a decisão é agora
O Rio Grande do Sul tem 3,2 mil quilômetros de linha de trem. Cerca de 1,5 mil estão parados. Só 6% da carga gaúcha anda sobre trilho, contra 15% na média do país. Todo o resto foi para o caminhão, e o preço do frete entrou no valor de tudo o que produzimos.
O contrato que entregou nossa malha ferroviária à iniciativa privada foi assinado em 1997 e vence em fevereiro de 2027 — exatamente o mês em que começa o próximo mandato.
A proposta que está na mesa divide a malha do Sul em três pedaços. O pedaço que passa pelo Paraná e por Santa Catarina leva 78% da carga e é o único que dá lucro de verdade. O nosso dependeria de dinheiro repassado de lá para cá. Os governadores dos quatro estados do Sul já disseram que não concordam com esse desenho.
Defendo que o Rio Grande do Sul chegue nessa discussão com estudo próprio e com exigência de obra escrita no contrato, com prazo e com multa para quem não cumprir. Além disso, há o que só depende de nós: liberar as áreas por onde o trilho passa, reativar ramais e ligar a ferrovia ao Porto de Rio Grande. Quem chegar em fevereiro de 2027 sem posição pronta vai chegar tarde.
O QUE EU DEFENDO
— Chegar a fevereiro de 2027 com posição gaúcha pronta e estudo próprio;
— Obra escrita no contrato, com prazo e multa para quem não cumprir;
— Liberar as áreas por onde o trilho passa e reativar ramais parados;
— Ligar a ferrovia ao Porto de Rio Grande.
Portos e hidrovias: um estado de litoral com um porto só
O Rio Grande do Sul tem 620 quilômetros de litoral e um único porto marítimo , o de Rio
Grande, estatal.
Santa Catarina tem seis portos comerciais — São Francisco do Sul, Itajaí, Itapoá, Imbituba, Navegantes
e Laguna — e, só no complexo de Itajaí, mais seis terminais privados. O porto de Imbituba atende o sul catarinense e também o Rio Grande do Sul: parte da nossa carga sai por lá.
Não é falta de mar. É falta de porto.
E a fila de quem quer investir já está formada. O Porto Meridional, em Arroio do Sal, prevê R$ 6,5 bilhões de investimento inteiramente privado, com capacidade para movimentar até 53 milhões de toneladas por ano e cerca de 1,5 mil empregos diretos. O projeto já foi declarado de utilidade pública pelo governo do estado, tem aval da Marinha, do Ministério
de Portos e da agência federal do setor, e está em licenciamento ambiental, com as duas audiências públicas já realizadas. Há um segundo projeto na mesma região, ainda mais ambicioso, desenhado para ficar a quase três quilômetros da costa e receber os maiores navios do mundo — algo que nenhum porto do Sul do Brasil comporta hoje.
Ou seja: o dinheiro existe, a tecnologia existe, a costa existe. O que costuma faltar é o estado sair da frente.
Nada disso substitui Rio Grande, que continua sendo o nosso porto de maior porte e precisa de investimento em dragagem e acesso. Mas um estado exportador com um único porto marítimo tem um gargalo permanente e uma tarifa refém.
Porto novo, aliás, só serve de verdade se tiver estrada e trilho chegando nele. É a mesma conta da proposta anterior: sem ferrovia, o porto vira um estacionamento de caminhão.
E há um terceiro caminho que o Rio Grande do Sul tem e quase não usa: a água.
Temos 225 quilômetros navegáveis no rio Jacuí, 259 na Lagoa dos Patos e 56 no Guaíba, ligando o centro do estado ao mar por dentro. É um sistema que quase nenhum outro estado brasileiro tem. Mesmo assim, mais de 90% da carga portuária gaúcha passa por Rio Grande, e a enchente de 2024 assoreou os canais de tal forma que foi preciso liberar R$ 731 milhões só para dragar cerca de 320 quilômetros de hidrovias interiores.
Hidrovia que não é dragada deixa de ser hidrovia. E cada tonelada que sai da barcaça volta para o caminhão, na estrada com pedágio.
Está em curso a primeira concessão hidroviária integrada do país, justamente aqui, reunindo os acessos aos portos de Rio Grande, Pelotas e Porto Alegre com as hidrovias da Lagoa dos Patos, do Guaíba e da Lagoa Mirim — 510 quilômetros, contrato de 25 anos. É a chance de ter dragagem permanente e contratada, em vez de dragagem de emergência depois de cada desastre. O estado precisa entrar nessa discussão com posição, e não descobrir o resultado pelo jornal.
O QUE EU DEFENDO
— Licenciamento com prazo definido para novos portos e terminais;
— Apoio institucional ao Porto Meridional e aos demais projetos privados do litoral;
— Investimento em dragagem e acesso no Porto de Rio Grande;
— Ferrovia e rodovia chegando até o porto, e não parando a cinquenta quilômetros dele;
— Dragagem permanente e contratada das hidrovias, no lugar da dragagem de emergência;
— Posição gaúcha definida sobre a concessão hidroviária que está sendo desenhada agora.
Um comitê permanente para fiscalizar as obras da enchente
Infraestrutura também é o que impede a água de entrar de novo na casa das pessoas.
Das 48 obras de estrada e ponte previstas com o dinheiro da reconstrução, nenhuma tinha sido entregue
até fevereiro de 2026. Dezenove estavam em andamento, vinte ainda no papel e nove nem projeto tinham. Dois anos depois da enchente, cerca de 25 mil pessoas ainda esperavam a casa definitiva.
E quem acompanha o andamento dessas obras hoje? O próprio governo. O comitê é coordenado pelo governador e o conselho é presidido pelo vice. Quem faz a obra é quem confere a obra.
Vou propor um comitê permanente com lugar garantido para a oposição, o Tribunal de Contas, o Ministério Público, as universidades e as prefeituras atingidas. Com um painel na internet, obra por obra: quanto custa, quando ficou pronto, quando deveria ter ficado, quem é o responsável. E prestação de contas em sessão pública a cada quatro meses.
Fiscalizar obra de enchente não é de direita nem de esquerda. Quem mora perto do dique quer saber quando fica pronto, e mais nada. E, para poder cobrar, precisa que alguém publique o dado: obra sem prazo publicado é obra atrasada em paz.
Digo isso porque conheço o assunto de perto. Acompanhei o sistema de proteção contra cheias de Porto Alegre e da região metropolitana casa de bomba por casa de bomba, comporta por comporta, antes e depois de 2024. Esse tipo de fiscalização não se faz com discurso: se faz com equipe técnica, com planilha, com visita a canteiro de obra e com articulação entre prefeitura, estado e governo federal, que é onde as obras costumam empacar. É a isso que pretendo dedicar boa parte do mandato.
O QUE EU DEFENDO
— Comitê permanente com oposição, Tribunal de Contas, Ministério Público, universidades e prefeituras atingidas;
— Painel público obra a obra: valor, prazo contratado, prazo real e responsável;
— Prestação de contas em sessão pública a cada quatro meses;
— Poder de exigir informação do governo, com prazo para responder;
— Equipe técnica própria dedicada ao acompanhamento das obras de drenagem e proteção;
— Articulação permanente entre prefeituras, estado e governo federal para destravar obra parada.
Água: o mesmo estado que alaga é o que seca
Duas coisas quebram a lavoura gaúcha, e são opostas. Em 2024 foi água demais. Em 2022 foi água de menos: a estiagem derrubou a safra de grãos de quase 21 milhões de toneladas previstas para pouco mais de 10 milhões. Metade da colheita virou pó.
Quem produz aqui joga uma loteria climática todo ano. E o estado que perde safra perde tudo junto — emprego no interior, faturamento de cooperativa, arrecadação de prefeitura, matéria-prima para a agroindústria que este programa quer construir.
Contra a cheia, a resposta são as obras: dique, casa de bomba, drenagem, e também barragens nos pontos altos, na cabeceira dos rios, que seguram parte da água antes que ela desça inteira sobre as cidades da parte baixa. Essas barragens não precisam sair do orçamento do estado. Podem ser construídas por quem quer gerar energia, em parceria, com o reservatório cumprindo duas funções: produzir energia limpa e amortecer cheia. Vale dizer com honestidade que barragem não substitui dique, e nenhuma delas teria evitado sozinha o que houve em 2024. Mas cada metro cúbico retido lá em cima é um metro cúbico que não chega aqui embaixo.
Contra a seca, a resposta é mais simples e está parada há anos: deixar o produtor guardar água.
Açude, cisterna, reservatório. A área irrigada no Rio Grande do Sul ainda é pequena, embora venha crescendo depressa — a irrigação em lavouras de soja e milho cresceu mais de 50% em quatro anos. Onde ela chega, a estiagem deixa de ser catástrofe e vira contratempo.
O que trava não é falta de vontade do agricultor. É licença. Um açude de propriedade rural, num estado que produz cerca de 70% do arroz do país, não pode ter o mesmo rito de uma barragem industrial. Norma que impede o produtor de guardar a água da
chuva não protege rio nenhum: protege o próximo prejuízo.
Ninguém está propondo abrir mão de critério técnico. Reservatório mal feito rompe, e este estado já sabe o que é isso. O que se propõe é regra proporcional ao tamanho: licenciamento por adesão e compromisso para pequenos reservatórios, prazo definido
para resposta, cadastro simplificado e critério publicado — para o produtor saber de antemão o que pode e o que não pode, em vez de descobrir caso a caso, ano após ano.
Este é o ponto onde a discussão ambiental costuma travar, e eu vou ser direto sobre o que penso. Preservar o Pampa, o rio e a mata é obrigação, e é obrigação nossa. Só que não existe estado que proteja o próprio território estando falido. Quem paga o fiscal ambiental, a pesquisa e a unidade de conservação é a economia que funciona — a fábrica aberta, a lavoura colhida, a carteira assinada, o imposto pago. Emperrar quem produz em nome do meio ambiente termina, na conta final, com menos dinheiro para cuidar do meio ambiente.
O QUE EU DEFENDO
— Licenciamento simplificado e com prazo para açudes e cisternas em propriedade rural
— Critério publicado e cadastro simples, para o produtor saber de antemão o que pode fazer
— Ampliação da área irrigada, com prioridade nas regiões mais castigadas pela estiagem
— Barragens de cabeceira construídas em parceria com quem gera energia, retendo água na parte alta
— Rigor técnico mantido na segurança de barragens: regra proporcional ao tamanho, não ausência de regra
Menos burocracia para empreender e pagar imposto
Com a estrada e o trilho funcionando, o passo seguinte é parar de atrapalhar quem produz.
Cada dia parado esperando licença é dinheiro que não se ganha e emprego que não se cria. E é exatamente aí que o Rio Grande do Sul ficou para trás: a nossa produção por trabalhador cresceu bem menos que a média do país nos últimos vinte anos.
Isso vai ficar ainda mais decisivo agora. O ICMS está sendo substituído por um imposto nacional, e o estado vai perder a possibilidade de atrair empresa dando desconto de imposto. Quando isso acabar, o que vai diferenciar um estado do outro é a rapidez. Estado lento vai ver a empresa se instalar do outro lado da divisa e não vai ter mais como compensar.
Defendo que a exigência seja proporcional ao risco: quem abre uma serralheria não pode enfrentar a mesma via-crúcis de quem abre uma indústria química. Onde o risco é baixo, a licença sai na hora. Se o órgão não responder no prazo, a licença é considerada aprovada. E a papelada do imposto tem que caber na vida de quem não pode pagar um contador só para não errar formulário.
Quem gera emprego neste estado não é a Assembleia Legislativa. É quem abre a porta às sete da manhã. O mínimo que se deve a essa pessoa é não atrapalhar.
O QUE EU DEFENDO
— Exigência proporcional ao risco da atividade
— Licença aprovada automaticamente quando o órgão perde o prazo
— Dispensa de licença para atividade de baixo risco
— Papelada do ICMS simplificada para o pequeno negócio
Revisar as exigências que só existem aqui
Junto com isso, proponho um critério que qualquer pessoa entende. Chamo de teste do vizinho.
Para cada exigência que o estado faz a quem produz aqui, a gente verifica se Santa Catarina e o Paraná exigem a mesma coisa. Se não exigem, o órgão gaúcho tem prazo para explicar por que a nossa é necessária. Se não conseguir explicar, a exigência cai.
Você não precisa concordar comigo sobre nada para achar isso justo. Se o produtor catarinense não precisa daquele laudo e o de Erechim precisa, alguém tem que dizer o motivo.
Não vou prometer uma lista pronta de regras para derrubar, porque essa lista ainda não existe. O que eu prometo é o método: montar essa lista junto com quem sofre com ela — indústria, comércio, produtor rural, dono de pequeno negócio — e levar ao plenário, uma por uma.
Para isso, vou criar na Assembleia um comitê permanente com uma função só: comparar a norma gaúcha com a norma que vale nos outros estados. Onde a regra existe em Santa Catarina, no Paraná ou em São Paulo e funciona, a gente adota o que já foi testado. Onde a regra só existe aqui, ela vai ter que se explicar.
E uma regra para o futuro, para não recomeçarmos a acumular: exigência nova só pode ser criada se
estiver prevista em lei. Hoje boa parte do que trava um negócio no Rio Grande do Sul não veio da Assembleia — veio de portaria, resolução ou instrução normativa que ninguém votou e que ninguém revisa. Junto com isso, análise obrigatória de impacto antes de criar qualquer exigência, e prazo de validade para norma infralegal, de modo que a regra não revalidada perca vigência sozinha.
Isso é o mínimo. É o básico que se deve a quem empreende e a quem trabalha no Rio Grande do Sul: competir em condições iguais às do vizinho.
O QUE EU DEFENDO
— Teste do vizinho: exigência que Santa Catarina e Paraná não fazem precisa de justificativa técnica
— Exigência nova só se estiver prevista em lei, e não em portaria ou resolução
— Análise de impacto obrigatória antes de criar exigência nova
— Prazo de validade para norma que não for revalidada
— Comitê permanente na Assembleia para comparar a norma gaúcha com a dos outros estados
— Adotar aqui o que já funciona em Santa Catarina, no Paraná e em São Paulo
— Lista de exigências construída junto com indústria, comércio, produtor rural e pequeno empreendedor
Incentivo que não custa dinheiro do contribuinte
Quando um estado quer atrair uma empresa, quase sempre faz a mesma coisa: dá desconto de imposto.
O problema é que esse dinheiro não aparece do nada. Toda isenção concedida a uma empresa é uma conta transferida para outra pessoa — para a padaria da esquina que não teve desconto nenhum, para o assalariado, para quem paga o ICMS embutido no pão e na conta de luz. Chamam isso de incentivo. É subsídio, pago por quem não foi consultado.
E esse instrumento está acabando de qualquer jeito. Com a substituição do ICMS pelo imposto nacional, o estado perde a capacidade de dar desconto para atrair quem quer que seja. Quem estiver contando com isso vai ficar sem plano.
A boa notícia é que existe um incentivo que não custa um centavo ao contribuinte, e que quem investe valoriza mais do que admite: tempo.
Pense em quem decidiu montar uma fábrica. Comprou o terreno, contratou o projeto, tem financiamento com prazo, tem equipe esperando. Cada mês parado em fila de licença é juro correndo, galpão alugado sem produzir, gente na folha sem trabalho. Quando o empresário escolhe Santa Catarina, muitas vezes não é porque lá o imposto é menor. É porque lá ele consegue começar.
Previsibilidade também é dinheiro. Saber de antemão o que vai ser exigido vale mais do que um desconto que pode ser revogado no ano seguinte.
Então o que eu proponho é isto, e nada disso mexe no caixa do estado.
Áreas pré-licenciadas. O estudo ambiental do distrito industrial é feito uma vez, pelo poder público, antes de qualquer empresa aparecer. Quem chega encontra a análise pronta, o zoneamento resolvido, a infraestrutura definida. O Pará já licenciou distritos industriais inteiros assim, com os lotes prontos para receber quem quiser instalar. Não há razão para o
Rio Grande do Sul não fazer o mesmo.
Consulta prévia que vale. O empreendedor pergunta ao órgão o que precisa fazer, recebe a resposta por escrito, e essa resposta obriga o órgão. Nada de descobrir uma exigência nova no terceiro ano de processo.
Prazo com consequência. Onde o risco é baixo, se o órgão não responde no prazo, está aprovado. Prazo sem consequência não é prazo, é sugestão.
Licença por autodeclaração para atividade de baixo risco, com o empreendedor assumindo compromissos e respondendo por eles. Esse instrumento já existe no Rio Grande do Sul e é pouquíssimo usado.
Laudo de profissional habilitado aceito de imediato, com responsabilidade técnica registrada e fiscalização depois. Se o engenheiro responde criminalmente pelo que assina, não faz sentido a estrutura pública refazer o trabalho dele antes de deixar a obra começar.
Cadastro único. O estado para de pedir ao cidadão informação que o próprio estado já tem.
Um responsável com nome e telefone para cada investimento relevante, encarregado de acompanhar o processo entre os órgãos, em vez de o empreendedor descobrir sozinho para qual porta bater.
Prazo médio real publicado, licença por licença. Não o prazo legal: o prazo que de fato se pratica. Órgão que sabe que seu tempo será divulgado todo mês acelera sem que ninguém precise mandar.
E, para que isso não fique no discurso, proponho uma lista de atividades estratégicas definida em lei, com um efeito prático: quem se enquadra nela entra no rito rápido — análise prioritária, prazo mais curto, exigência proporcional ao risco, do primeiro protocolo até a licença de operação.
Atenção ao desenho, porque ele é o que separa isso de um favor. A lista é de atividades, não de empresas. Ninguém negocia caso a caso, ninguém pede audiência para entrar. Quem faz aquilo, entra — a multinacional e a firma familiar de Ijuí, a que já está aqui e a que ainda vai chegar.
As atividades são as que este programa inteiro persegue:
— Processamento de matéria-prima agropecuária: esmagamento e refino de grãos, fábrica de ração, frigorífico, laticínio, beneficiamento de arroz, moagem de trigo;
— Cadeias que o estado já teve e perdeu: couro acabado e calçado, madeira, papel e cartonagem, derivados do fumo;
— Bebidas e alimentos com marca própria: vinho, espumante, suco, malte e cervejaria;
— Bioenergia: etanol de cereais, biodiesel, biogás e biometano a partir de resíduo;
— Geração e transmissão de energia, incluindo pequenas centrais e projetos que usem reservatório também para conter cheia;
— Metalmecânica ligada ao campo: máquinas, implementos, autopeças, embalagem e insumos;
— Minerais críticos, com prioridade maior para as plantas de beneficiamento e refino do que para a extração pura;
— Logística: armazenagem e silos, terminais hidroviários, ramais ferroviários, terminais portuários;
— Saúde de média e alta complexidade no interior, que é a proposta 20 deste programa;
— Data centers e infraestrutura digital, que é onde a corrida da inteligência artificial encosta na economia real.
A lista tem que ser revista pela Assembleia a cada dois anos, em sessão pública, com o desempenho de cada item exposto. Atividade que entrou e não gerou nada sai. E a lista é aprovada por lei, nunca por decreto — porque o que se decide no gabinete se troca no gabinete.
Nenhuma dessas medidas custa um real ao contribuinte. Nenhuma delas cria privilégio para uma empresa contra a outra. Todas valem igual para quem já está aqui e para quem quer chegar.
O que elas exigem é decisão. E é por isso que são mais difíceis do que dar desconto de imposto: desconto se anuncia numa coletiva, agilidade se constrói por dentro, sem foto.
O QUE EU DEFENDO
— Nenhum incentivo baseado em isenção de imposto, porque isenção de um é conta para outro;
— Distritos industriais com licenciamento ambiental feito antes, pelo estado;
— Consulta prévia por escrito que obriga o órgão que respondeu;
— Prazo com consequência: vencido o prazo em atividade de baixo risco, está aprovado;
— Laudo de profissional habilitado aceito de imediato, com fiscalização posterior;
— Cadastro único: o estado para de pedir o que já tem;
— Lista de atividades estratégicas definida em lei, com rito rápido para quem se enquadra;
— Lista de atividades, nunca de empresas, revista pela Assembleia a cada dois anos.
— Prazo médio real de cada licença publicado todo mês
A escola tem que ensinar
Em agosto o governo comemorou: o índice nacional de qualidade da educação subiu, e saiu o anúncio do melhor resultado da história do estado.
Antes de comemorar junto, vale entender o que esse número é. Ele multiplica o quanto o aluno
aprendeu pela quantidade de alunos aprovados. Aprovar mais eleva a nota, mesmo que ninguém aprenda nada a mais. E a taxa de aprovação da rede gaúcha subiu de 90,7% para 93,9% exatamente no período em que o estado passou a deixar o aluno avançar devendo matéria. Parte do salto é aritmética, não aprendizagem.
Depois vale olhar o patamar, que é o que ninguém coloca no anúncio. O ensino médio da rede pública gaúcha marca 4,7 numa escala que vai até 10. A meta nacional para 2025 era 5,2, e o Brasil ficou em 4,5. Na rede pública brasileira, o aluno só alcança nível adequado de português e matemática no 5º ano; dali em diante, fica no nível básico nas duas disciplinas.
Ou seja: o índice subiu e o jovem continua saindo da escola sem domínio de matemática e sem ler direito um texto de meia página. Melhorar de muito ruim para ruim não é um resultado que se comemore em coletiva.
E há uma decisão do estado que empurra o indicador para cima e o aluno para baixo. Desde 2024 vale a progressão parcial: avança de ano quem deve até quatro disciplinas.
Passar de ano devendo quatro matérias não é aprender. É adiar. O aluno segue para a série seguinte sem a base da anterior, entende menos ainda, e a conta chega toda junta no fim do ensino médio — quando ele tenta o primeiro emprego, a prova, a faculdade, e descobre sozinho o que ninguém quis dizer antes.
Defendo o óbvio, que virou controverso: só passa de ano quem aprendeu o ano. E defendo junto com isso a publicação, escola por escola, dos dois números separados — quanto o aluno aprendeu de um lado, quanto se aprovou de outro. Quem tem resultado bom não teme número aberto.
Segurar o aluno na série exige segurá-lo dentro da escola, e é para isso que servem as três medidas seguintes.
Primeiro, recuperação de verdade: aula de reforço no contraturno, durante o ano e não depois dele, com avaliação no fim. O aluno tem direito a ser recuperado antes de ser reprovado, e o estado tem obrigação de provar que ofereceu isso.
Segundo, busca ativa de quem parou de aparecer, com a escola indo atrás em vez de esperar.
Terceiro, e é o ponto que muda o jogo: benefício social vinculado à presença na escola e à aprovação no fim do ano.
Hoje a exigência para na porta. O Bolsa Família cobra frequência mínima há duas décadas, e o programa de poupança do ensino médio paga mil reais por ano concluído com aprovação — quem reprova não recebe. Ou seja: a régua da presença já existe, e a régua da aprovação já existe. O que falta é aplicar as duas, de verdade, ao conjunto dos benefícios.
Defendo que o Rio Grande do Sul faça isso já nos programas que são dele, e que o estado leve a mesma exigência ao Congresso para os programas federais.
Vão dizer que é tirar comida da mesa. Não é. É dizer à família, com todas as letras, que a escola do filho não é opcional — e que o dinheiro que a sociedade transfere vem com uma contrapartida, que é o filho aprendendo. Quem sustenta o benefício é o trabalhador que paga imposto e leva o próprio filho à aula todo dia. Ele tem o direito de esperar o mesmo do outro lado.
O desenho é este: suspensão do benefício, e não cancelamento definitivo. A família recupera assim que o aluno volta a frequentar e conclui a recuperação. Ficam fora quem tem deficiência, doença ou situação comprovada que impeça, e fica fora também o caso em que a própria escola não ofereceu a recuperação a que o aluno tinha direito — nesse caso a falha é do estado, e quem responde é o estado.
Para isso funcionar, é preciso resolver um problema banal e nunca resolvido: hoje ninguém cruza os dados. A escola sabe quem faltou. O sistema social sabe quem recebe. E os dois quase não se falam.
Defendo um cadastro unificado, ligando o registro de frequência e de aprovação de cada aluno da rede ao cadastro dos programas sociais, com cruzamento automático por inteligência artificial. Isso resolve três coisas de uma vez: identifica cedo o aluno que está começando a faltar, antes de ele sumir de vez; permite a busca ativa com nome e endereço em vez de estatística; e encontra o benefício pago em nome de criança que não está matriculada em escola nenhuma.
Duas regras junto com isso, porque sistema que decide sozinho sobre a vida de gente pobre é perigoso: nenhum benefício é suspenso por decisão automática de máquina — o sistema aponta, uma pessoa confere e decide, e a família tem direito de contestar. E o dado do aluno serve para isso e para mais nada.
E há uma competência nova que a escola gaúcha precisa entregar. A geração que está hoje na sala de aula vai trabalhar ao lado de máquinas que escrevem, calculam e decidem. Quem souber usá-las vai valer muito no mercado; quem não souber vai ser substituído por elas.
Isso não significa aula de inteligência artificial no quadro. Significa duas coisas.
A primeira é reforçar exatamente o que a máquina não faz: ler com atenção, escrever com clareza, calcular, raciocinar em cadeia e desconfiar de resposta bonita e errada. Aluno que não sabe avaliar uma informação vai acreditar em tudo o que a máquina disser — e isso deixou de ser problema de escola para virar problema de país.
A segunda é usar a ferramenta com regra. Pensamento computacional e uso supervisionado de IA nas séries mais avançadas, com uma linha clara: a máquina ajuda a aprender, não faz a tarefa pelo aluno. Escola que deixa a IA fazer o trabalho está formando gente que não sabe fazer nada — e essa gente é a primeira a ser dispensada.
Antes de tudo isso, porém, vem a base: alfabetização na idade certa. Criança que sai do terceiro ano sem ler direito carrega esse atraso até o ensino médio, e nenhuma política posterior conserta barato o que se perdeu ali. É o investimento com maior retorno que existe em educação, e é onde o estado tem que ser implacável na cobrança de resultado.
Compra de vaga onde falta vaga. Quando não há lugar na escola pública de uma localidade, o aluno hoje espera — às vezes dois, três anos, o tempo de projetar, licitar e construir um prédio. A Constituição permite outra saída: bolsa de estudo para quem precisa, onde falta vaga na rede. Defendo usar essa saída de forma organizada, com regra clara: valor por aluno igual ou menor que o custo do estado, a mesma avaliação aplicada à rede pública, e a escola conveniada proibida de escolher aluno. Isso não substitui construir onde é preciso construir, e a rede própria continua sendo obrigação do estado. Mas é melhor pagar a vaga que já existe hoje do que deixar a criança fora da sala esperando um prédio que fica pronto quando ela já saiu da idade.
Escolas cívico-militares, que têm procura real das famílias que querem disciplina, ordem e previsibilidade para o filho — com uma exigência que vale para elas como vale para tudo neste programa: resultado publicado e comparado. Um mandato que propõe medir tudo não pode ter um item que ninguém mede.
Uma palavra final sobre professor, porque ela importa. Não existe rede boa com professor desmotivado, e a valorização de quem está em sala de aula é o oposto do penduricalho que este programa combate.
Cortar privilégio serve exatamente para isso: para sobrar dinheiro onde o trabalho acontece.
O QUE EU DEFENDO
— Fim da progressão parcial: só passa de ano quem aprendeu o ano
— Recuperação no contraturno durante o ano letivo, com avaliação, antes de qualquer reprovação
— Alfabetização na idade certa como prioridade absoluta da rede
— Reforço do que a máquina não faz: leitura, escrita, cálculo, raciocínio e checagem de informação
— Pensamento computacional e uso supervisionado de inteligência artificial, com a regra de que a máquina ajuda a aprender e não faz a tarefa
— Benefício social vinculado à presença na escola e à aprovação no fim do ano
— Suspensão enquanto durar o descumprimento, com restabelecimento assim que a família regularizar
— Cadastro unificado ligando frequência e aprovação aos programas sociais, com cruzamento por inteligência artificial
— Nenhuma suspensão decidida por máquina: o sistema aponta, uma pessoa decide, a família pode contestar
— Publicação separada, escola por escola, do quanto se aprendeu e do quanto se aprovou
— Busca ativa de quem abandonou a escola
— Bolsa de estudo em escola conveniada onde falta vaga na rede, com avaliação igual à da rede pública e proibição de escolher aluno
— Escolas cívico-militares com resultado publicado e comparado.
Escola técnica: formar quem faz, e quem fica
Agora a outra metade do problema, e ela decide o resto deste programa.
A produção por trabalhador no Rio Grande do Sul cresceu bem menos que a média do país nos últimos vinte anos. Produtividade não é abstração de economista. É o que uma pessoa sabe fazer, e com que ferramenta. Nenhuma esmagadora, nenhum frigorífico, nenhuma metalúrgica funciona sem quem opere. Hoje falta mais quem opere do que falta planta.
E é aqui que se decide também a primeira frase deste livreto: o gaúcho que vai embora. Ele não sai porque não gosta daqui. Sai porque a cidade dele não oferece uma formação que valha ficar, nem um emprego que a use.
Ensino médio técnico ligado à vocação de cada região, feito junto com quem emprega — Fiergs, Federasul, Farsul e o sistema de formação da indústria e do comércio. Curso de operação de planta de processamento onde há agroindústria. Metalmecânica na serra. Naval e logística em Rio Grande. Refrigeração e alimentos onde há frigorífico. Não adianta oferecer o mesmo curso em todo lugar e depois estranhar que o jovem se forme e vá embora.
E não precisamos construir tudo do zero para isso. A indústria gaúcha já tem laboratório, oficina, máquina e instrutor. Comprar vaga em curso técnico que já existe custa uma fração de erguer escola nova — e o aluno aprende no equipamento que vai encontrar no primeiro emprego, não numa réplica de vinte anos atrás. Onde a formação já é boa, o estado paga por ela em vez de imitá-la mal.
Isso vale também para quem já está no mercado. Trabalhador de trinta e cinco anos que precisa se requalificar não vai voltar para a escola regular. Vai fazer um curso de seis meses, à noite, perto de casa — se ele existir.
E há uma vocação nova que precisa entrar nessa conta agora, não daqui a cinco anos. Está sendo construído a dezessete quilômetros de Porto Alegre um distrito de data centers voltado a inteligência artificial, com demanda projetada de milhares de megawatts. São Leopoldo abriga a maior fábrica de encapsulamento de semicondutores do Hemisfério Sul.
Isso gera emprego técnico, e muito. Operador de data center, técnico em redes, em refrigeração industrial, em eletrotécnica de alta potência, em segurança da informação, em automação. Não é vaga de doutor: é vaga de curso técnico, e paga bem. Se não formarmos essa gente aqui, ela vem de fora — e o gaúcho assiste ao maior investimento tecnológico da história do estado passar pela janela.
Defendo cursos técnicos de inteligência artificial aplicada dentro das cadeias que já temos: agricultura de precisão, manutenção preditiva na indústria, logística, análise de dados no comércio. A tecnologia entra no curso que o aluno já faz, e não numa disciplina solta que ninguém sabe onde encaixar.
Educação financeira e empreendedorismo, também em parceria com quem faz isso todo dia: cooperativas de crédito, que têm presença forte no interior gaúcho, entidades do comércio, escolas de negócio. Juro composto, orçamento doméstico, o que é um CNPJ, como se abre uma empresa, o que é uma nota fiscal. O jovem que sai da escola sabendo disso decide melhor sobre o próprio dinheiro pelos sessenta anos seguintes — e alguns deles vão abrir o negócio que emprega os outros. Não custa obra: custa material, formação de professor e convênio.
Repare que nada disso é política de educação apenas. É política industrial. A esmagadora que este programa quer ver instalada no noroeste precisa de gente para operar, e essa gente ou se forma aqui, ou vem de fora, ou a planta não vem. A escola técnica é a peça que liga o capítulo da burocracia ao capítulo da indústria — e é a única resposta concreta que existe para o jovem que hoje faz as malas.
O QUE EU DEFENDO
— Ensino médio técnico desenhado com quem emprega, segundo a vocação econômica de cada região;
— Compra de vagas em cursos técnicos que já existem, em vez de construir estrutura nova;
— Cursos técnicos voltados à cadeia de data centers e semicondutores: redes, refrigeração, eletrotécnica, automação e segurança da informação;
— Inteligência artificial aplicada dentro dos cursos técnicos que já existem, e não como disciplina solta;
— Cursos curtos de requalificação, à noite e perto de casa, para quem já está no mercado;
— Educação financeira e empreendedorismo no ensino médio, em parceria com a iniciativa privada;
— Formação casada com a lista de atividades estratégicas do estado.
Reindustrializar completando a cadeia, começando pela agroindústria
Chegamos ao ponto onde tudo isso deságua: emprego.
Em 2025, o Rio Grande do Sul vendeu ao exterior US$ 21,5 bilhões, e o agronegócio foi 71,5% disso. O produto que mais exportamos no começo daquele ano foi folha de fumo sem industrializar.
Aí está o nosso problema em uma frase: a nossa cadeia para cedo.
Vendemos a folha e compramos o cigarro de volta. Vendemos o grão e o farelo, enquanto o óleo refinado, a ração e a carne processada agregam valor em outro lugar. Vendemos celulose e não vendemos papel. Já tivemos a cadeia inteira do couro dentro de casa, do frigorífico ao curtume à fábrica de calçado — e foi justamente ela que mais murchou.
O retrato mais recente diz tudo: a safra de soja de 2026 deve crescer 34,6%, e a produção da nossa indústria caiu 3% no mesmo começo de ano. Estamos batendo recorde de colheita e perdendo fábrica ao mesmo tempo.
Reindustrializar o Rio Grande do Sul não é inventar vocação nova. É terminar o que a gente já começa bem. Para frente, isso significa esmagar o grão aqui, refinar o óleo aqui, fazer a ração aqui, processar a carne aqui, transformar o couro em calçado aqui, o fumo em produto acabado aqui, a madeira em papel aqui, a uva em espumante com marca nossa.
Para trás, significa fabricar aqui a máquina, o implemento, a peça, a embalagem, a semente e a tecnologia que o campo usa — coisa que o gaúcho já faz bem e vende para o mundo.
A razão é uma só, e ela está no interior. Uma tonelada de grão embarcada no navio gera muito menos emprego do que poderia. A mesma tonelada esmagada, virada em ração e depois em carne passa por esmagadora, fábrica de ração, granja, frigorífico, embalagem e transporte — e cada uma dessas etapas fica numa cidade diferente. O agronegócio gaúcho já emprega 393 mil pessoas com carteira assinada. Cada pedaço da cadeia que se completa aqui é emprego que fica aqui.
O que trava isso é tudo o que este programa enfrenta: energia cara, licença lenta, trem parado, pedágio caro até o porto e insegurança sobre as regras. Por isso a ordem das propostas importa.
E o critério que eu defendo é um só, valendo para todo mundo: quem transforma dentro do Rio Grande do Sul licencia mais rápido, tem prioridade em infraestrutura e encontra o caminho aberto em vez de bloqueado. Sem desconto de imposto para ninguém.Quem preferir seguir vendendo matéria-prima bruta continua livre para fazer isso.
Nenhuma fábrica vai ser aberta por lei. O que a lei pode fazer é deixar de ser o motivo de ela não abrir.
O QUE EU DEFENDO
— Prioridade de licenciamento e de infraestrutura para quem transforma matéria-prima dentro do estado
— Nenhum incentivo baseado em desconto de imposto
— Escola técnica ligada à vocação econômica de cada região
— Critério igual para todos: quem agrega valor aqui tem tratamento melhor
Produzir aqui o combustível que a gente importa
O Rio Grande do Sul importa praticamente todo o etanol que consome. Perto de 99%.
O motivo é conhecido: aqui não se planta cana em escala, porque o clima não ajuda. O que quase ninguém diz é que cana não é a única forma de fazer etanol. Trigo, milho, triticale, arroz e sorgo produzem etanol, e todos são plantados no Rio Grande do Sul.
A prova já está sendo construída em Passo Fundo. Uma usina de etanol de cereais, com investimento de R$ 1,26 bilhão, vai processar 525 mil toneladas de grão por ano e produzir 220 milhões de litros de etanol — cerca de um quarto de todo o etanol que o estado consome. E ainda vai gerar 155 mil toneladas de farelo por ano para alimentação animal.
Repare no farelo, porque ele é a chave. A mesma tonelada de grão vira combustível e vira ração, e a ração alimenta a cadeia da proteína que este programa quer manter dentro do estado. Etanol de cereal não concorre com a comida: ele produz as duas coisas de uma vez.
Uma usina supre um quarto da demanda gaúcha. Faltam três. Por isso vou trabalhar por um programa estadual do etanol: regra estável definida em lei e não em anúncio, licenciamento com prazo, e apoio à cultura de inverno que abastece as usinas. Hoje o imposto sobre o etanol é cobrado onde ele é produzido, e não onde é consumido — o que significa que, enquanto importarmos tudo, estamos financiando a arrecadação de outros estados a cada litro que o gaúcho abastece.
O mesmo raciocínio vale para o biodiesel e para a energia gerada a partir de resíduo: bagaço, casca, sobra de processamento. É a proposta da cadeia completa aplicada ao tanque de combustível.
O QUE EU DEFENDO
— Programa estadual do etanol, com regra estável e definida em lei, sem privilégio para nenhuma empresa
— Licenciamento com prazo para usinas de etanol de cereais
— Apoio à cultura de inverno que abastece as usinas
— Aproveitamento de resíduo — bagaço, casca e sobra de processamento — para energia e biodiesel
A corrida da inteligência artificial: minério, energia e chip
Toda a disputa geopolítica de hoje passa por um punhado de minérios. A briga entre Estados Unidos e China, o interesse Trepentino pela Groenlândia, boa parte do que se negocia na guerra da Ucrânia. São os minerais críticos — terras raras, silício, nióbio, lítio, titânio — sem os quais não existe chip, ímã, bateria, turbina, satélite nem inteligência artificial.
A revolução da inteligência artificial vai mudar o trabalho, a indústria e a vida de todo mundo, e vai fazer isso mais rápido do que qualquer transformação anterior. Quem tiver o minério na mão entra nessa história. Quem não tiver, assiste.
E o Rio Grande do Sul tem.
Pesquisa de três universidades gaúchas identificou, em Caçapava do Sul, rochas com altíssima concentração de terras raras — no solo, concentrações nove vezes maiores que as de outras regiões do Brasil, doze vezes maiores que as de Cuba e seis vezes maiores que as da China. No eixo entre Caçapava, Lavras do Sul e Bagé aparecem elementos que vão do nióbio ao lantânio, usados de ímãs a metalurgia. Uma das geólogas da equipe é cautelosa quanto ao potencial comercial, e tem razão em ser: ocorrência não é jazida, e jazida não é mina. Mas ela também diz que a região merece atenção mundial.
O problema é que, no Rio Grande do Sul, até para descobrir se o minério existe já é difícil. Pesquisar exige sondagem, e sondagem exige licença. Um projeto de mineração em São José do Norte levou cerca de dez anos para obter as licenças — e, quando saíram, o projeto já estava tecnicamente desatualizado.
Dez anos é mais tempo do que dura uma revolução tecnológica inteira.
Não estou propondo minerar a qualquer custo. Cuidado ambiental em mineração é inegociável, e este estado sabe muito bem o preço de errar nisso. O que proponho é que a pesquisa mineral tenha rito próprio e prazo — porque sondar não é minerar, e tratar as duas coisas como se fossem a mesma é impedir que se saiba o que temos debaixo do chão.
E tem uma segunda parte, que vale mais que a primeira. Vender minério bruto é a mesma armadilha do fumo em folha e do grão no navio. A riqueza não está em extrair terra rara: está em separar, refinar e transformar em ímã, em componente, em produto. Se o Rio Grande do Sul entrar nessa corrida só como fornecedor de matéria-prima, vai repetir com o minério o erro que já cometeu com a soja.
E o minério é só o primeiro degrau. A economia da inteligência artificial se apoia em três coisas: mineral, energia e chip. Nós temos as três.
Energia é a nossa maior vantagem, e está parada. O atlas oficial de energias renováveis do estado é categórico: usando 2,1% das áreas aptas não urbanas em usinas solares, o Rio Grande do Sul supriria sozinho toda a energia que consome. Dois por cento. Some-se a isso o vento do litoral e da campanha, o potencial offshore, o biogás e o biometano da agroindústria. Não falta recurso. Falta velocidade para licenciar quem quer investir.
Defendo tratar geração e transmissão de energia limpa como o que são — infraestrutura crítica — com rito de licenciamento próprio, prazo definido, e liberdade para o consumidor grande gerar a própria energia ou comprá-la de quem quiser. Sem desconto de imposto para ninguém. Energia barata aqui não vai vir de subsídio; vai vir de concorrência e de licença que sai no prazo.
Data center é a fábrica dessa economia. Já foi anunciado um distrito industrial de data centers em Eldorado do Sul, a dezessete quilômetros de Porto Alegre, com demanda projetada de até 4.750 megawatts e destinação a aplicações de inteligência artificial — além de um novo cabo submarino ligando o Rio Grande do Sul diretamente ao resto do mundo. Isso não é promessa de futuro distante: está sendo construído.
Data center escolhe lugar por três critérios: energia abundante e barata, clima frio e conexão. O Rio Grande do Sul tem os três, e é o único estado do Brasil que tem os três juntos. Nosso clima, que é desvantagem em tanta coisa, aqui é vantagem: refrigerar máquina custa menos onde faz frio.
Defendo licenciamento especial para data centers de processamento de inteligência artificial e para as linhas de transmissão que os alimentam, com rito próprio, prazo curto e área pré-licenciada pelo estado antes de a empresa chegar. Com uma exigência
escrita: transparência sobre consumo de água e de energia, e prioridade para projetos com refrigeração de baixo consumo hídrico. Quem tem o que esconder no consumo de água não deve ser tratado como prioridade.
E chip. O Rio Grande do Sul abriga em São Leopoldo, dentro do parque tecnológico da Unisinos, a maior fábrica de encapsulamento e testes de semicondutores do Hemisfério Sul — resultado de uma parceria com a Coreia do Sul. O estado já provou que consegue. O que falta é tratar esse setor como o que ele é: indústria estratégica, que exige sala limpa, energia sem oscilação, água ultrapura e licença que não demore três anos.
Defendo o mesmo rito especial para fábricas de componentes eletrônicos e semicondutores. E defendo dizê-lo em voz alta: o Vale dos Sinos pode ser o polo de semicondutores da América Latina, e a distância entre poder e ser é basicamente burocracia.
O QUE EU DEFENDO
— Licenciamento especial, com rito e prazo próprios, para data centers de inteligência artificial e fábricas de semicondutores;
— Área pré-licenciada pelo estado para esses empreendimentos, antes de a empresa chegar;
— Licenciamento com prazo para geração e transmissão de energia limpa, e liberdade para o grande consumidor gerar ou comprar de quem quiser;
— Transparência obrigatória sobre consumo de água e energia dos data centers;
— Rito próprio e prazo definido para pesquisa mineral, porque sondar não é minerar;
— Mapeamento estadual dos minerais críticos, feito com as universidades gaúchas;
— Exigência de processamento e agregação de valor dentro do estado, e não só extração;
— Rigor ambiental mantido: prazo curto para decidir não é licença para decidir mal.
Combater o crime organizado
Nada do que está escrito acima funciona onde quem manda é o crime.
O Rio Grande do Sul é território de facções gaúchas. Elas nasceram dentro dos nossos presídios, nos anos 1980, e hoje comandam bairros inteiros da região metropolitana, avançaram sobre a Serra e o noroeste do estado e chegaram à fronteira com o Uruguai.
Operam rotas internacionais de droga há décadas. São sócias das duas maiores organizações criminosas do país, que abastecem o mercado daqui sem precisar tomar o nosso território — porque já têm com quem negociar.
É um negócio. E, como todo negócio, ele fatura, contrata, expande e cobra.
Cobra do traficante pequeno que quer vender no ponto. Cobra do comerciante que quer trabalhar
em paz. Manda no horário em que o morador pode andar na rua, em quem pode entrar na vila, em quem pode receber visita. Nada disso vira estatística. E é justamente aí que o estado erra: contamos corpo e não contamos território.
Sabemos exatamente quantas pessoas foram assassinadas no mês passado. Não sabemos quantos bairros estão sob domínio de facção, quantos comércios pagam pedágio ao crime, quanto dinheiro esse negócio movimenta no Rio Grande do Sul. O que não se mede, ninguém cobra — e o governo pode declarar vitória enquanto apenas assiste.
Os assassinatos caíram muito, e vale entender por quê. O pior ano da história gaúcha foi 2017, quando duas facções entraram em guerra aberta e Porto Alegre chegou a figurar entre as cidades mais violentas do mundo. Eram bandidos se matando para decidir quem ia mandar. Essa guerra terminou. Guerra termina quando um lado ganha. Desde então, morrese menos e trafica-se mais: no mesmo período em que os corpos diminuíram, as facções se espalharam pelo interior e pela fronteira.
Bandido em paz não é cidade em paz. É negócio prosperando sem interrupção.
Combater o crime organizado exige atacar aquilo que o sustenta.
O dinheiro. Facção não se derruba apreendendo droga, porque droga se repõe. Derruba-se chegando ao patrimônio: a empresa de fachada, o imóvel, o carro, a conta. Isso exige inteligência financeira de verdade, com os dados da Brigada, da Polícia Civil, do sistema prisional e da Receita Estadual cruzados no mesmo lugar.
A medição. Defendo obrigar o estado a publicar um índice de domínio territorial e de economia do crime ao lado do número de homicídios. Enquanto o único termômetro for cadáver, o diagnóstico vai continuar errado — e a política pública desenhada em cima dele também.
A fronteira. É por ali que entra o produto que financia tudo o mais. Fronteira sem estrutura é porta
aberta.
E o presídio, que é de onde tudo isso saiu e onde tudo isso ainda é decidido. É a próxima proposta, e ela é a mais importante deste programa.
Nenhum estado perdeu território para o crime de uma vez. Perdeu enquanto os números ainda pareciam bons.
O QUE EU DEFENDO
— Índice público de domínio territorial e economia do crime, publicado ao lado dos homicídios;
— Inteligência financeira integrando polícias, sistema prisional e Receita Estadual;
— Ataque ao patrimônio: empresa de fachada, imóvel, veículo e conta bancária;
— Fronteira como prioridade de orçamento.
Um presídio de segurança máxima e o fim das galerias divididas por facção
Todas as facções gaúchas nasceram dentro do sistema prisional, nos anos 1980, e de lá saíram para dominar o crime no estado.
Para evitar mortes dentro da cadeia, o estado separa os presos por facção. Ao fazer isso, entrega a cada facção uma galeria inteira para recrutar, disciplinar e dar ordem. A conta não chega lá dentro.
Chega na rua, no bairro, na esquina onde o adolescente é aliciado por alguém que está cumprindo ordem de um homem preso há oito anos.
Hoje, quando o estado precisa isolar um chefe, depende de decisão da Justiça e de vaga em presídio federal fora daqui. Numa única operação, em 2020, foram precisos mais de 1,3 mil agentes, 306 viaturas, sete aeronaves e quatro embarcações para transferir 18 líderes. E a estadia lá fora é temporária.
Reconheço o que foi feito. Desde 2019 o estado aplicou mais de R$ 1,4 bilhão no sistema prisional, demoliu o antigo Presídio Central e entregou a nova Cadeia Pública de Porto Alegre, com 1.884 vagas, além da unidade de Charqueadas, com 1.650. O que não mudou foi o critério de distribuir os presos. Cadeia nova com a mesma lógica é cadeia nova para o mesmo dono.
Defendo construir uma unidade estadual de segurança máxima para chefes de facção, com bloqueio de sinal de celular, revista por scanner, controle rígido de visita e proteção contra drone. E defendo mudar o critério: o preso passa a ser classificado pelo risco que ele oferece, não pela facção a que pertence. O estado precisa parar de organizar o próprio presídio conforme o organograma do crime.
Uma ressalva que eu faço questão de dizer em voz alta, porque é séria: misturar facção sem vaga, sem revista e sem controle mata preso e mata servidor. A separação não nasceu de ideologia, nasceu de falta de estrutura. Por isso a ordem importa aqui também — primeiro a unidade de máxima segurança, depois o fim da divisão por facção. Quem promete o contrário está prometendo motim.
O QUE EU DEFENDO
— Unidade estadual de segurança máxima para chefes de facção;
— Preso classificado pelo risco que oferece, e não pela facção a que pertence;
— Bloqueio de sinal, revista por scanner, controle de visita e proteção contra drone;
— Construção por parceria, no modelo do presídio de Erechim;
— Ordem obrigatória: primeiro a estrutura, depois o fim da divisão por facção.
Dinheiro para quem atende o estado inteiro
Porto Alegre trata gente que não mora em Porto Alegre. E paga por isso.
A capital tem 18 hospitais atendendo pelo SUS, com cerca de 500 internações por dia. Mais da metade delas é de paciente que veio de outra cidade. No Hospital de Pronto Socorro, referência de trauma para o estado inteiro, metade dos atendimentos diários é de gente de fora — e o custo mensal do hospital, de cerca de R$ 15 milhões, é bancado em 80% pela prefeitura da capital.
Ou seja: quem paga imposto em Porto Alegre está financiando o leito que atende o acidentado do litoral, o infartado da serra, a gestante de risco do interior.
E isso não é um problema só da capital. Acontece igual em Caxias do Sul, em Passo Fundo, em Santa Maria, em Pelotas, em Ijuí — toda cidade que virou referência regional atende a vizinhança inteira e paga a diferença sozinha. O município-polo sustenta o hospital que serve a dez, quinze cidades ao redor, e recebe pelo procedimento o mesmo que receberia se atendesse apenas o próprio morador.
E aqui está a raiz de tudo: a tabela que o SUS usa para pagar cada procedimento está defasada há anos. Ela não cobre o custo real de uma cirurgia, de uma internação em UTI, de um parto de risco. A diferença entre o que o procedimento custa e o que a União paga sobra para a prefeitura e para o hospital — e é ela que quebra os dois. Enquanto essa tabela não for atualizada, toda cidade que atende bem vai ser punida por atender bem.
E que fique claro: a cidade não deve recusar ninguém, e não recusa. Quem chega machucado na porta do HPS tem que ser atendido, venha de onde vier. Dor não pede comprovante de residência. Nenhuma proposta minha passa por fechar porta.
O que não se sustenta é a conta ficar inteira com o contribuinte de uma cidade só. Isso não é generosidade, é distorção — e é distorção que acaba prejudicando exatamente quem se quer atender, porque um sistema sobrecarregado sem financiamento correspondente chega ao limite e quebra.
A saída não é complicada. O Estado precisa assumir a parte que é dele no custeio da média e da alta complexidade na capital, com valor definido em contrato e não em anúncio. O Rio Grande do Sul também precisa aplicar em saúde o mínimo que a Constituição manda, sem contabilidade criativa. E é preciso haver regra clara de corresponsabilidade: o município que manda paciente participa do custo, e o paciente estabilizado volta para ser acompanhado perto de casa, com transporte organizado e vaga garantida na origem.
E aqui está o ponto que costuma ficar de fora dessa discussão. Corrigir o financiamento da capital não pode significar tirar dinheiro da saúde do interior. Se o orçamento é o mesmo e a conta de Porto Alegre aumenta, alguém vai pagar — e esse alguém acaba sendo o hospital de Erechim, de Bagé, de Santa Rosa. Seria trocar um problema por outro.
A saída não é repartir de novo o mesmo bolo. É construir leito onde hoje ele não existe.
E isso não precisa ser feito só com dinheiro público. Hospital privado e filantrópico que atende pelo SUS resolve os dois lados: o Estado paga pelo procedimento, não pela obra, e o paciente é atendido perto de casa. A Unisinos, em São Leopoldo, está planejando um complexo de saúde de dez hectares ao lado do parque tecnológico, ligado ao seu curso de Medicina, com atendimento público pelo SUS previsto e obras projetadas para começar em 2027. É exatamente o tipo de investimento que muda a conta da região inteira.
Tem ainda um efeito que dura mais que o prédio: hospital ligado a faculdade de medicina forma médico no interior. E médico formado no interior tende a ficar no interior. Metade do problema da saúde fora da capital não é falta de leito, é falta de quem atenda nele.
O que o Estado precisa fazer é simples de dizer e raro de ver: licenciar rápido, contratualizar com regra clara e prazo longo — porque ninguém investe em hospital com contrato de um ano —, e garantir que o leito novo no interior seja acréscimo à rede, e
nunca desconto no que já se repassa para lá.
Nada disso é briga de Porto Alegre contra o interior. É o contrário: capital e polos regionais vivem o mesmo problema e têm o mesmo adversário, que é uma regra de financiamento feita para outra época.
Financiamento justo é o que faz o leito existir em todo lugar.
O QUE EU DEFENDO
— Atualização da tabela SUS pelo governo federal, com compensação a quem atende além do próprio município;
— Contrato de custeio com valor definido para a alta complexidade na capital e nos polos regionais;
— Estado aplicando em saúde o mínimo que a Constituição manda;
— Nenhum aumento de repasse à capital financiado com corte no interior;
— Apoio a hospitais privados e filantrópicos que atendam pelo SUS no interior, como o complexo de saúde projetado pela Unisinos em São Leopoldo;
— Licenciamento rápido e contrato de longo prazo para quem quiser investir em leito no interior;
— Corresponsabilidade dos municípios que enviam pacientes;
— Retorno do paciente estabilizado, com transporte organizado e vaga garantida na origem;
— Publicação mensal da origem dos pacientes internados na rede da capital.
Combater o antissemitismo e o neonazismo
Tem uma coisa crescendo neste estado que quase ninguém quer olhar de frente.
O Rio Grande do Sul abriga as células neonazistas mais antigas do Brasil, e as mais bem articuladas
com grupos de fora do país. Não são meia dúzia de adolescentes fantasiados: são redes organizadas, que recrutam pela internet, doutrinam menino de quinze anos em grupo de aplicativo e já apareceram ligadas a compra internacional de armas. Um levantamento recente encontrou cerca de 35 mil brasileiros circulando em canais neonazistas só numa rede de mensagens. Em maio de 2026, a polícia prendeu em Porto Alegre o líder de um desses grupos, um rapaz de vinte anos.
Ao mesmo tempo, o antissemitismo voltou às ruas com roupa nova. A comunidade judaica está em Porto Alegre há mais de um século — construiu escola, hospital, clube, sinagoga, e ajudou a construir esta cidade. Hoje precisa de segurança na porta desses lugares. Criança judia é hostilizada na escola. Universitário é constrangido em sala de aula.
E aqui é preciso ser exato, porque a confusão costuma ser proposital. Criticar o governo de qualquer país é direito de qualquer pessoa, e eu não proponho mexer nisso. Israel tem governo, e governo se critica. O que não é crítica política é responsabilizar o brasileiro judeu pelo que acontece a dez mil quilômetros daqui, é pichar sinagoga, é fazer aluno esconder o colar antes de entrar na aula, é transformar a palavra "sionista" em xingamento para não precisar dizer a outra.
Apologia ao nazismo já é crime no Brasil. O problema não é falta de lei, é falta de aplicação.
Nada disso exige lei nova. Exige decisão. Fortalecer e ampliar a delegacia especializada em crimes de intolerância, que hoje é uma só para o estado inteiro e faz um trabalho que precisa ser maior. Formar policiais, promotores e professores para reconhecer e registrar esses casos, porque o que não é registrado não existe na estatística e some do orçamento. Publicar dados de crimes de ódio no estado, com a mesma regularidade dos outros indicadores. E impedir que dinheiro público, em qualquer forma, financie grupo ou evento que promova ódio racial ou religioso. Um estado construído por imigrantes — alemães, italianos, judeus, poloneses, africanos, árabes — não tem o direito de fingir que não vê isso.
O QUE EU DEFENDO
— Fortalecer e ampliar a delegacia especializada em crimes de intolerância;
— Formar policiais, promotores e professores para reconhecer e registrar crime de ódio;
— Publicar estatística de crimes de ódio com a mesma regularidade dos demais indicadores;
— Nenhum dinheiro público para grupo ou evento que promova ódio racial ou religioso;
— Proteção articulada para escolas, sinagogas e centros comunitários.
O que depende de nós
Você deve ter notado uma coisa lendo até aqui: em quase nenhuma dessas propostas o governo é o herói da história.
O Estado não vai reindustrializar o Rio Grande do Sul. Quem faz isso é quem já está de pé às cinco da manhã. O Estado não vai criar emprego por decreto. Quem cria é quem arrisca o próprio dinheiro abrindo um negócio. O que o governo pode fazer é parar de cobrar caro demais, parar de demorar demais e entregar direito as poucas coisas que só ele pode entregar: estrada, segurança, escola, hospital, um dique que segure a água.
É por isso que praticamente tudo o que está escrito aqui é sobre tirar peso das costas de quem produz — e sobre cobrar de quem administra.
Um mandato sozinho não faz isso. Faz barulho, apresenta projeto, publica número que ninguém queria publicar, vota contra aumento de imposto e a favor de contrato decente. O resto é cobrança, e cobrança só funciona quando é de muita gente.
O Rio Grande do Sul não precisa de mais um político prometendo salvá-lo.
Precisa de ti.
























